6/10/2011

A escrita ou a vida

Jorge Semprún (1923-2011) nasceu numa família ilustre, viveu a Guerra Civil Espanhola, o exílio em França, a resistência activa ao nazismo, o campo de concentração de Buchenwald, a clandestinidade comunista, a expulsão do Partido, foi militante político, intelectual comprometido e um polémico ministro da Cultura, além de romancista, ensaísta e guionista. Semprún (de quem só conheço L’Écriture ou la Vie) pertence a uma das grandes categorias de escritor novecentista: o escritor com «excesso» de biografia, que esteve sempre onde esteve a História do seu tempo, ou que andou pelos quatro cantos do mundo. Um modelo que tem variantes em Malraux, Gide, Hemingway ou Chatwin. O século passado também foi o século de Cavafis e Pessoa e Wallace Stevens, mas há um natural fascínio pelos escritores com «muita vida», como se ter uma biografia acidentada emprestasse genuinidade à literatura, a tornasse mais «impura», portanto mais sentida, mais relevante, menos fictícia.